O Comitê de Política Monetéria (Copom) se reunirá nesta quarta-feira, 19, e deve subir os juros para 14,25% ao ano, em decisão amplamente esperada pelo mercado. Entretanto, a dúvida entre analistas e investidores é sobre o tamanho do ciclo de alta da Selic.
Com inflação corrente pressionada, expectativas acima do teto da meta e incertezas externas, o questionamento entre os analistas é se os diretores do Banco Central (BC) reduzirão o ritmo de alta da taxa e quando a autoridade monetária encerrará esse ciclo.
A expectativa é que essas dúvidas sejam sanadas com a divulgação do comunicado pós-Copom.
Contexto internacional pesará na decisão
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa básica de juros no intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano, conforme já precificado pelos mercados, afirmou o economista-chefe do banco Pine, Cristiano Oliveira.
Segundo ele, no entanto, investidores aguardam com atenção as projeções econômicas da autoridade monetária americano e a entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, que pode sinalizar os próximos passos da política monetária.
“O impacto da nova administração Trump na economia global também adiciona volatilidade às expectativas de inflação e crescimento. Desde a posse, medidas protecionistas e declarações controversas do presidente dos Estados Unidos geraram incerteza, dificultando a condução da política monetária em diversos países, incluindo o Brasil”, afirmou.
Inflação persiste no Brasil e crescimento revisado
No Brasil, as expectativas de inflação seguem desancoradas, com pressões de curto prazo. Segundo Oliveira, o principal motivo para a alta dos preços segue sendo a pressão dos alimentos e dos bens industriais, impactados pela depreciação cambial e pela demanda aquecida.
Além disso, as expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 foram reduzidas de 2,06% para 1,99%, refletindo um ambiente de juros altos e maior incerteza econômica. Para 2026 e 2027, as projeções de crescimento econômico permanecem estáveis em 2%.
Copom mantém tom cauteloso
Segundo Oliveira, o BC já havia indicado, na última ata, que o ambiente inflacionário adverso exigiria cautela redobrada. A sinalização foi reforçada pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo, que declarou, em evento realizado em fevereiro, que a política monetária já se encontra em um patamar bastante elevado de aperto monetário.
Fonte: Exame